Halloween – John Carpenter (1978)

Por Raphael Klopper

Halloween_coverMonstros fantásticos, vampiros, lobisomens e fantasmas eram a marca egistrada do gênero terror desde os tempos áureos do cinema com “Nosferatu” de F.W.Murnau. E assim foi até que um senhor chamado Alfred Hitchcock fez em 1960 um certo filme chamado “Psicose” que revitalizou o gênero para sempre. Ao invés de monstros e mansões assombrados tínhamos um psicopata indireto num motel deserto onde a protagonista morria no meio do filme. Sem deixar de mencionar claro o que Roman Polanski fez com o “Bebê de Rosemary” com um terror psicológico, Brian de Palma com “Carrie” e seu terror macabro e William Friedkin com “O Exorcista” com sua faceta demoníaca, esta imitada até hoje. Os quatro lendários trouxeram novas facetas ao gênero, mas o foque aqui é o que o grandioso clássico de John Carpenter trouxe.

halloween-stillAssim como “Psicose”, “Halloween” não parte de uma premissa fantasiosa ou fictícia e fica sim numa trama realista e localizada num dia normal com pessoas normais. Afinal não foi o próprio Hitchcock que criou a melhor tese de terror que existe? O que assusta mais? Um assassino na sua frente ou você saber que ele está te seguindo na rua ou está dentro de sua casa e você não pode vê-lo? Carpenter pegou ao pé da letra essa teoria quando foi contratado para dirigir e roteirizar o filme de baixíssimo orçamento. Não sendo um filme de estúdio e sendo financiado por Moustapha Akkad (na época produtor de épicos), o jovem e talentoso diretor teve que contar com seus amigos que o ajudaram em ” Assalto à 13ª DP” e todo o seu amor por cinema para fazer o pequeno projeto de 320.000 dólares (20.000 desse sendo o salário de Donald Pleasence).

halloweenCom apenas 29 anos, o jovem Carpenter dirige seu filme como um verdadeiro mestre. Os sustos não são “jump-scares” baratos como é usual hoje em dia, e sim uma tensão crescente que é construída com uso de planos longos como sua fantástica e perturbadora intro, onde Michael Myers (Tony Moran), o monstro da história é apresentado. E com takes abertos em cena com as outras personagens em cena, sempre dando uma sensação de estar sendo vigiado ou seguido. E ambientar esse clima num palco urbano do dia-a-dia é o brilho de Halloween.

halloween-michael-myersCarpenter e sua amiga roteirista e produtora Debra Hill criam a ambientação perfeita. Uma cidade pequena e pacata se passando exatamente em um só dia, o dia de Halloween. Criando personagens jovens que assim como em “Carrie” e “Massacre da Serra elétrica” atingem o público alvo. E o ainda fazem com inteligência, sem enaltecer uma personagem principal (esta sendo o próprio Myers) e mantendo os diálogos sempre realistas e palpáveis, assim como suas personagens. Onde encontramos uma jovem Jamie Lee Curtis interpretando a tímida Laurie, e ainda Nancy Kyes e P.J. Soles como suas extrovertidas amigas Annie e Lynda. Mas a estrela que rouba o filme é Donald Pleasence como o misterioso doutor Sam Loomis, com seu sofisticado e charmoso sotaque britânico.

O sucesso do filme foi tanto que “Halloween” se tornou um daqueles clássicos como “Tubarão”, “Psicose”, “A Hora do Pesadelo” e o próprio “Exorcista” que derivou diversas e fraquissimas continuações, mas que se mantém até hoje em sua unidade e simplicidade de um filme de terror/suspense inteligente e tensamente perturbador que é uma parte importante do cinema que conhecemos e influência vários até hoje.

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