Only Lovers Left Alive – Jim Jarmusch (2013)

Por Thiago Vieira

Jim Jarmusch é um diretorJim Jarmusch é um diretor com um estilo único que se destaca. Desde os anos 80 tem revolucionado o cinema Indie americano. Considerada por muita sua obra prima, Stranger Than Paradise é um filme impregnado por esse estilo autoral e com seu mais recente trabalho, Only Lover Left Alive (Amantes Eternos, no Brasil) não é diferente.

O filme é um mergulho na história, mesmo que se passe nos tempos contemporâneos, pois a atmosfera do filme nos leva a compartilhar a existência milenar dos personagens, e também seu tédio pela vida. Nas conversas entre Eve e Adam, casal interpretado por Tilda Swinton e Tom Hiddleston (brilhantes como de costume), encontramos referências à todas as épocas e períodos da cultura humana, música, artes e até mesmo ciência.

A trilha sonora contribui imensamenteA trilha sonora contribui imensamente para a atmosfera do filme e imersão do público. Na cena inicial, quando o casal protagonista se encontra distante, o plano zenital e o movimento de câmera nos ajuda a entender o que eles sentem, a compartilhar sua solidão e entender que eles só estariam completos quando próximos. Os passeios noturnos por uma Detroid deserta nos proporcionam a monotonia de viver há centenas de anos, nos transportando pra dentro dos personagens e enxergando o mundo pela visão pessimista de Adam, que acredita que a humanidade está condenada à destruição e se refere a nós como “zumbis”.

A fotografia também é sublimeA fotografia também é sublime, com um tom praticamente sépia. Essa coloração ajuda a estabelecer uma relação de idade para os personagens, que como já foi citado, são centenários. A direção de arte é caprichada, e os instrumentos musicais e livros presentes em abundância no filme são sua principal característica, evidenciando o vasto conhecimento e superioridade intelectual dos personagens.

O consumo de sangue é claramente uma referência ao consumo de drogas, a expressão dos personagens nessas cenas, o tráfico do produto, a trilha sonora e o fade in da câmera não deixam mentir, além da abstinência provocada pela ausência da “bebida”.

A irmã da protagonista, AvaA irmã da protagonista, Ava (Mia Wasikowska), representa uma quebra na atmosfera e monotonia provocada do filme com sua extroversão e irreverência, para não falar irresponsabilidade. A quebra que ocorre é literal, pois seu comportamento impulsivo leva a morte de Ian, humano que recebia para ajudar Adam, obrigando-os a se mudar para Tanger (cidade onde Eve morava antes de voltar para os braços de Adam) e alterando completamente o curso da história.

O filme não se destacaO filme não se destaca entre as obras de Jarmusch, mas ainda assim é um excelente trabalho. Algumas pessoas podem entender errado o ritmo do filme, que é propositalmente lento, mas é impossível não se apaixonar pela trilha sonora e direção de arte, assim como o roteiro, que apresenta uma história imersiva e interessante, que instiga-nos a procurar as referências do diretor.

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