O Lado Bom da Vida (2012) – David O. Russell

Por Gabriel Dominato

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O cinema em geral carece de originalidade nos dias de hoje, porém, quando olhamos para o cinema americano, e diminuindo  ainda mais este escopo, indo ao cinema americano de comédia, temos uma crise ainda maior. No geral, temos comédias que em regra seguem o estilo de Adam Sandler e Ben Stiller, que monetariamente dão grande retorno à indústria cinematográfica, mas padecem em muito de qualquer criatividade. Os roteiros são reaproveitados incessantemente. O que funcionar nesse verão irá retornar no próximo, e isso temos em todos os gêneros. Há alguns anos o tema paranormal estava na moda, e filmes como Atividade Paranormal 4 (2012) vem para continuar a franquia e repetir a fórmula, já cansada e gasta, dos seus antecessores. O mesmo ocorreu com as temáticas vampiros e zumbis.

2Porém, de tempos, a indústria recebe alguns filmes com sopros de criatividade. Nem sempre são bons filmes, fato é que tentam contar histórias originais, ou ao menos histórias mais convencionais de uma forma nova. Filmes como Juno (2007)Pequena Miss Sunshine (2006), Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças (2004) e Encontros e Desencontros (2003) são alguns expoentes desta tradição, que infelizmente não é crescente, no cinema americano, nesse caso mais específico no chamado cinema alternativo, com a proposta de narrar histórias de forma menos convencional e assim criar algo novo, ainda que embasado num clichê. Os filmes acima citados conseguem de forma, algumas vezes exemplar, outras nem tanto, atingir o feito de renovar o cinema e sua linguagem, que carece de tais inovações.

3Este O Lado Bom da Vida (2012) também o tenta, porém, não é em grande parte do filme que consegue manter esta postura inovadora, em muitas vezes caí no clichê, como ocorre em seu final por exemplo, mas em várias outras, como no desenvolvimento do relacionamento dos protagonistas, atinge uma boa desenvoltura, embora a atuação dos atores que fazem tais papéis deixe um tanto a desejar. Sua fotografia é um tanto simplória, e os ângulos de câmara e mise-en-scène pouco ousados, havendo pouca exploração do cenário pelos personagens e uma interação pouco insólita entre estes, o que, num resultado final, causa cenas pouco impactantes, e que isoladas, tem muito pouca força. Muita dificuldade tem-se para aceitar o todo da película, visto que as cenas estão todas mal amarradas, mas não soltas porém, sentindo-se assim que no decorrer que se cumula no ápice do filme não se tem o climax, não que isso seja propriamente ruim, haja vista que um anti-climax, quando planejado, pode ser recurso narrativo dos mais interessantes, e quando o filme acaba a sensação que se tem é que houveram várias scketchs soltas, mas não uma só obra de consistência. Algo semelhante ocorre com os personagens secundários, que quase não são explorados, ou se são, o são de forma bem superficial, onde atores como Robert de Niro são sumariamente deixados apenas para cumprir tabela, devido ao grande descaso com todos os secundários em prol do casal principal.

5Alguns aspectos porém são bem ilustrados, como algumas cenas onde a trilha sonora comunga para com o clima desejado, mas, entretanto, não ocorre durante todo o filme, onde em alguns momentos a musica parece ter sido colocada de forma aleatória e segue de uma cena para outra, ainda mais desconexa, como ocorre quando Pat (Bradley Cooper) se despede de Tiffany (Jennifer Lawrence) e vai para casa procurar um vídeo de seu casamento. Ambas cenas partilham da mesma música, porém as duas não tem a mesma necessidade, e quando ela ilustra mal uma cena, delineia ainda pior a outra.

Todavia, como citado no início deste texto, sua tentativa de ser original é válida e necessária para a indústria, ainda com todos seus problemas e falhas, aqui destaco a atuação regular de Jennifer Lawrence e a inexpressiva de Bradley Cooper que formam uma direção de atores muito duvidosa ou a direção de arte que não teve maiores preocupações estéticas, este O Lado Bom da Vida, merece ser visto pelo motivo que filmes que tentam ser originais hoje em dia são raros, então, quando surge um corajoso a tentar sê-lo, deve-se ao menos isso a ele.

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