Ervas Daninhas – Alain Resnais

Por Gabriel Dominato

Alain Resnais desconstrói aqui a expectativa dos amores parisienses, sempre idealizados no cinema e literatura, contando a forma acidental com que Marguerite (Sabine Azéma), uma dentista de cabelos vermelhos que nas horas vagas é piloto de avião e Georges (André Dussollier), um homem misterioso que encontra a carteira que roubam de Marguerite quando esta vai comprar sapatos, assim os ligando por uma mera casualidade. O resultado disso pe uma obra que causa um estado de maravilhamento em alguns e de completa aversão a outros. Mas Resnais sempre foi um realizador a quem se pode atribuir a máxima “ame ou odeie”. O diretor, como certa vez declarou a cerca de “Ano Passado em Marienbad”, considera que sua função era apenas contar a história e não explicá-la, isto cabia ao expectador e que, necessariamente cada um teria a sua, e a dele era tão importante quanto qualquer outra. Não há um significado, cada um encontrará o seu, essa é uma das éticas do cinema de Alain Resnais. Digo isso porque o final por vezes foi considerado confuso ou mesmo sem final, mas quem diz algo assim não conhece o cinema deste mestre francês, pois não me vem a mente exemplo de filme de sua autoria com um final tipíco, Resnais gosta de provocar a imaginação de sua audiência e fazer com que usem a inteligência, o que nos pega por vezes de sobressalto devido a quantidade de roteiros “mastigados” que aparecem ultimamente.

Sabina Azéma e André Dussollier tem a mesma quimíca tão contagiante de “Medos Privados em Lugares Públicos”, nos seduzindo com olhares misteriosos e um carisma magnético, em atuações que mais parecem encontros casuais de amigos, devido ao nível de intimidade e entrosamento com que aparecem na tela, parece até mesmo isento de ensaios, tudo é muito natural e a dramaturgia simplesmente fluí com leveza e agilidade. Para completar, o filme possuí dois finais, um deles parecendo satirizar os finais felizes e os já citados romances romanceados de Paris, onde a música tema da 20th Century Fox toca e a palavra “FIN” fica pulsando na tela, anunciando como se aquele fosse o fim da atração, mas não, há ainda um segundo final, no melhor estilo Resnais, onde os protagonistas vão andar de avião, e este some da tela, como se tivesse colidido. Podemos ver estes finais como uma simples sátira do diretor ou talvez como uma opção ao espectador mais romantico e ao mais pessimista, e isto me parece mais a cara de Alain Resnais pois, quem conhece a obra do diretor sabe que, é de seu feitio realizar obras com ampla liberdade para que possamos escolher nosso próprio final, nada nos obrigada a aceitar a opinião de ninguém, porque todas estão em tese certas.

Ervas Daninhas é das obras mais interessantes da safra mais recente do cinema mundial, com uma excelente desconstrução do romance, cria um filme cheio de vigor que parece ter sido filmado por um homem de vinte anos e não por um senhor em seus oitenta anos, é um exemplo da liberdade e inventividade que marca a geração de Alain Resnais.

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Uma resposta para Ervas Daninhas – Alain Resnais

  1. guiga disse:

    muito bom esse filme.

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