Mary e Max, Uma Amizade Diferente – Adam Elliot

Por Gabriel Dominato

Há tempos que as animações andam em alta, porém é fato que cada vez mais elas estão se “infantilizando”, o que de certa forma é uma critíca rasa, tendo-se em vista que tal formato têm como público alvo as crianças, porém, ainda assim, uma boa animação deve conter a ambiguídade e inteligência necessária a ponto de que uma criança e um adulto possam assistir ao mesmo filme, mas que ambos vejam um filme diferente. Assim é Mary e Max, encanta as crianças com animações em stop-motion e personagens cativantes e ao mesmo tempo aos adultos na sua forma e narrativa.

A história, baseada em fatos reais, é simplista, mas no melhor sentido que tal palavra pode implicar, flerta com o cotidiano e emoções mais básicas como amizade e confiança. Mary é uma garota australiana que começa a mandar cartas para uma pessoa aleatória em Nova York, sendo o destinatário Max, um velho neurastêmico e rabugento. Toda arquitetura do filme se dá com a troca de cartas entre estas personagens tão curiosas, primeiro com cartas timídas, depois de várias páginas e com sentimentos profundos, passam anos se correspondendo, brigam, se reconciliam e são amigos há milhares de quilômetros, sem nunca se verem, a não ser por fotos, desabafam e trocam conselhos.

O mais interessante é que o mundo de Max é todo em preto e branco e no mundo de Mary tudo é colorido, e as coisas que mandam uns para os outros permanecem com esse “estado de espiríto”, as coisas de Mary chegam coloridas a Nova York e as de Max em preto e branco na Austrália, o que belamente aumenta os contrastes destes personagens.

Tudo isso nos é contato por uma sensibilidade pouco vista na indústria das animações, o cuidado é notado com as animações feitas com massinhas, a dublagem inspirada e cenários belissímos, que constrõem em minha opinião o melhor filme de animação da década, deixando filmes como Toy Story 3 parecerem fracos em comparação.

Mary e Max ainda é exemplo do tipo de cinema, ainda embrionário, que pode ser tanto entretenimento quanto sensível, aonde o belo pode ser cômico e vice-versa, o que hoje está em falta no cinema comercial, mas não sem demanda, tanto é que foi sucesso de público e critíca, e embora sua bilheteria não tenha alcançado as dos blockbusters da Pixar e outras, seu conteúdo as ultrapassa em muito. Em tempos de desumanização no cinema, filmes como este serão sempre bem vindos.

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Sobre sokoisdead

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3 respostas para Mary e Max, Uma Amizade Diferente – Adam Elliot

  1. Samuel Costa disse:

    Faz um tempinho que quero ver este filme e o seu texto aumentou minha curiosidade!
    A história e as técnicas de animação parecem cativante.
    Ótima resenha!

  2. Elton disse:

    estou assistindo o filme nesse momento…é excelente….

  3. EU vi com a Kreli! lindinho!

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