Desenrola (2011) – Rosane Svartman

Por Samuel Costa

Filme brasileiro que está em circulação nos cinemas, Desenrola (2011) de Rosane Svartman é uma abordagem sobre a vida de jovens da classe média que podia resultar em um ótimo filme sobre adolescência, juventude e sexo, mas que por fim acaba em uma proposta interessante sem profundidade.

A história gira ao redor de Priscila (Olívia Torres) uma jovem de 16 anos e que é virgem. Sua mãe (Claudia Ohana) faz uma viajem a trabalho e deixa a casa só para filha durante vinte dias. E nesse período de tempo muita coisa vai acontecer na vida de Priscila, dentre elas ela vai se aproximar do rapaz que ela tanto cobiça, o surfista Rafa (Kayky Brito).  Outro ponto que é importante para o desenrolar do filme é a pesquisa quantitativa que ela e seus amigos de classe devem fazer como um trabalho de escola, e o tema que eles escolhem é: “Quantas meninas do ensino médio são virgens?”.

Começando por aí, que pesquisa mais sem pé nem cabeça, a intenção é boa, mas não há uma base para se dizer que as respostas são verdadeiras (as pessoas mentem sobre isso) e a forma como eles conseguem fazer as meninas falarem a respeito disso no filme, não é convincente. Mas tudo bem, vale a proposta de tocar no assunto e de quebrar o tabu sobre ele. Poderiamos dizer que a perda da virgindade é o principal tema do filme e sobre ele o filme é até razoável. Mas ele traz junto um monte de outros temas que são tratados de forma tão jogadas, soltas e superficiais que fazem o filme ser muito fraco.

O filme joga temas interessantes e importantíssimos como gravidez e homossexualidade, mas é como se eles estivessem ali apenas para ocupar um espaço e dizer “nós falamos sobre isso”, a superficialidade limita a abordagem ao clichê e estereótipo. É horrível quando o filme tenta dar dicas sobre a homossexualidade de um personagem a partir de seus gostos para games, no caso, há um diálogo entre dois garotos, o heterossexual gosta de Winning Elenven e o homossexual de The Sims. Bobo, superficial e estereotipado. No que se refere a gravidez na juventude o filme se dedica um pouco mais sobre o assunto, mas de qualquer forma não sai do clichê e a única coisa que se tira daí é “usem camisinha!”. Os problemas e as responsabilidades de ser pai nessa faixa etária não são abordados.

A parte técnica do filme é boa, uma fotografia e um cmovimento de câmera genial, e quanto a trilha sonora varia entre um bom rock brasileiro, um ótimo samba e algumas modinhas que os adolescentes ouvem hoje em dia. Um ponto bem legal é que além de baladas eletrônicas e shows de rock, os jovens do filme também frequentam um bar de samba. Uma das festas do filme onde os jovens se encontram é em um belo boteco de esquina que toca samba.

Pelo tema o filme lembra As Melhores Coisas do Mundo (2010) de Laís Bodansky, mas bem mais fraco, pois este foi um dos melhores filmes brasileiros de 2010. Já Desenrola, que ficou muito distante do ótimo filme de Bodansky, talvez funcione se for limitado a um entretenimento para adolescentes.

Anúncios
Esse post foi publicado em Cinema, Cinema Brasileiro, Uncategorized e marcado , , , . Guardar link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s