Free Zone – Amos Gitai

Por Gabriel Dominto

Há algum tempo os realizadores de diversas partes do mundo tem se interessado em debater o conflito entre a Palestina e Israel, Godard já fizera em seu “Nossa Música” de 2004 uma abordagem sobre o tema, mas Amos Gitai parece ter a melhor aproximação do tema e talvez a mais acessível, provavelmente por sua proximidade com o conflito devido ao fato dele próprio ser israelense.

Gitai, questionado sobre sobre ser uma voz equilibrada sobre o conflito de seu país, responde: “Eu tento ser. Primeiro, é um conflito complicado. Segundo, é muito manipulado. Todos os lados usam a mídia. Eles acham que são muito bem-sucedidos, eu acho que eles foram bem-sucedidos em intoxicar a história toda. Então eu tento falar do jeito como penso.”

A sequência inicial é devastadora, temos Natalie Portman em talvez sua melhor atuação, aos prantos, sem mal conseguir olhar para aquele povo palestino. O filme em si é uma viagem entre Jerusalem e a Jordânia para chegar à Zona Franca, onde Egito, Iraque e outros países podem negociar livremente.

Hanna (Hanna Laszlo) é taxista que está levando Rebecca (Natalie Portman) para visitar Jerusalem, mas Rebecca sente-se num estado inexplicável e suplica para ir embora, que precisa sair daquele país, a partir dessa premissa básica, Gitai nos leva por uma viagem a qual tenta mostrar a face real destes países tão mitificados no ocidente, como num momento onde Rebecca desce para tomar café com um senhor na Jordânia e Hanna a chama de volta para o taxi, mas ela quer ver aquelas pessoas reais, se libertar do preconceito que todos temos quando pensamos no oriente médio.

Quando chegam à Zona Franca Rebecca descobre que Hanna é mulher de Moshe Ben Moshe e que eles trabalham com revenda de carros blindados para os EUA e que ela está ali em nome de seu marido para receber um dinheiro que um de seus sócios deve. O resto da noite gira em torno dela forçando Leila (Hiam Abbass), uma mulher que aparentemente trabalha para um americano que é sócio do marido de Hanna para receber seu dinheiro.
Sobre isso Gitai constrói uma critíca eficaz sobre como o dinheiro, mas que qualquer outra coisa, é capaz de levar ao desentendimento, e como aquele povo tem um preconceito mútuo, sendo Hann palestina e Leila árabe, como se esse único fato fosse o suficiente para gerar desconfiança e medo entre essas mulheres que acabam de se conhecer. Quando tudo parece bem e uma confiança surge entre elas Hanna começa a cobrar Leila novamente por horas, até o dia anoitecer, antes disso Rebecca abre a porta do carro e saí correndo em direção à fronteira do Iraque, desesperada com toda aquela intolerância, a mesma música que toca no início se repete, e o círculo vicioso prossegue pelo que parece o resto da noite, mas me parece o jeito do direitor dizer que sobre poucos argumentos e de pouca importância o conflito e o desentendimento desses dois povos seguem intederminadamente até o crepúsculo dos tempos.

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Apenas um cinéfilo.
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