Comer, Rezar, Amar (2010) – Ryan Murphy

Por Samuel Costa

Ambicioso e vazio. Comer, Rezar, Amar (2010) de Ryan Murphy, o mesmo diretor de Correndo com Tesouras (2006) e da série Glee, é um filme que decepciona muito o espectador. Baseado no livro homônimo autobiográfico de Elizabeth Gilbert (que não li), o filme possui um esquema de auto-ajuda e que, pior ainda, não da certo.

Julia Roberts interpreta Liz, um mulher moderna, escritora, casada e que abandona tudo para ir em busca de auto-conhecimento. Ela sai de Nova Iorque em uma viagem para a Itália, Índia e Bali. O filme começa em Bali com Liz visitando um xamã que diz que ela vai perder toda sua fortuna, passar por várias experiências, que eles iriam se reencontrar e ele iria ensinar à ela tudo o que ele sabe. De volta em Nova Iorque ela termina seu casamento contra a vontade do marido e perde todos os seus bens para ele. Depois ela conhece David, interpretado por James Franco, um ator com quem inicia um romance. Em uma crise pessoal ela acaba deixando David e toda a vida que ela tinha ali para partir em sua viagem. A partir daí o filme piora, tudo é um esqueminha bobo. Ao que parece ela vai “comer” na Itália, “rezar” na Índia e “amar” na Indonésia.

O filme engana bem, aparentemente é uma experiência de vida (ou tenta colocar dessa forma), mas no fundo a personagem principal é uma mulher com dinheiro suficiente para abandonar tudo e ir viajar o mundo, só contando o tanto que ela comeu na Itália deve ter gastado horrores.  Está aí umas das contradições do filme, da-se a entender que ela perdeu toda a sua fortuna, mas como uma pessoa pobre poderia bancar toda essa jornada pelo mundo. E aí está um outro furo, o filme não funciona nem como auto-ajuda, porque tenta passar uma imagem de desapego às coisas materiais e contemplação da espiritualidade, mas no fundo a busca por auto-conhecimento de Liz sai bem caro.

Outras coisas também irritam um pouco como, por exemplo, a falta de relativismo que se faz entre as culturas e também os estereótipos de cada nacionalidade. Isso fica claro quando Liz começa um romance em Bali com Felipe, um brasileiro interpretado por Javier Bardem, que é um cara sedutor, sensual, com certo desinibimento sexual pelo o qual Liz oferece um “viva” aos brasileiros.

As atuações, a trilha sonora e a fotografia salvam o filme (pelo menos em parte). O elenco é ótimo, pena que tanto talento é desperdiçado em um filme fraco. A trilha conta com ótimas canções incluindo um pouco de MPB. E a fotografia é bonita, trabalha com planos externos, internos e muitas cores, mas também não se destaca como algo além do padrão hollywoodiano.

Acho que nesse ultimo parágrafo encontrei uma ótima definição pro filme. Um filme tipicamente hollywoodiano de entretenimento. Dá a impressão de que faz algumas críticas ao estilo de vida estadunidense, mas no fundo não critica nada, apenas tenta dar uma momentânea sensação de falso otimismo e bem estar.

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