As Melhores Coisa do Mundo (2010) – Laís Bodanzky

por Samuel Costa

Da mesma diretora de “Bicho de Sete Cabeças” (2001) e “Chega de Saudades” (2007), “As Melhores Coisas do Mundo” (2010) é o terceiro longa-metragem de Laís Bodanzky. Com uma linha diferente de seus dois filmes anteriores a diretora  acrescenta em sua carreira um ótimo trabalho que aborda questões sobre uma fase de nossas vidas cheia de conflitos, dúvidas e incertezas, a adolescência.

Laís Bodanzky faz uma ficção que se alimenta da realidade de adolescentes da classe média. O roteiro é de Luiz Bolognesi e se baseia na série de livros “Mano” de Gilberto Dimenstein e Heloisa Prieto. Mas além do livro para guiar a história, A diretora revela em entrevista[1] como foi o trabalho de pesquisa para o filme. A equipe do filme foi a diversas escolas de São Paulo para conversar e obter informações sobre esses grupos jovens de forma a complementar a trama e o roteiro. E parece que todo esse trabalho deu certo.

A história do filme gira em torno de Hermano (chamado de Mano) um adolescente de 15 anos de classe média que vive com os pais e o irmão. Seus pais estão em crise e um acontecimento que ele não esperava faz com que ele se sinta desestruturado, vulnerável, sem saber como agir, mas por impulso a primeira reação é uma rejeição ao fato. O irmão passa por momentos depressivos em seu relacionamento amoroso e isso acaba envolvendo a família. Sua melhor amiga, a qual ele confia e troca alguns segredos, está apaixonada pelo professor. Mano é apaixonado por uma menina linda da escola, mas que não quer nada sério com ele. Assim, entre esses e outros conflitos, a trama vai se desenrolando abordando temas ligados às relações humanas como primeira transa, bullying, preconceito, amizade, homossexualidade, a coerção social, a participação política, drogas, entre outros. Não é difícil para aqueles que são ou que já foram adolescentes se identificarem como o filme, ou também os pais que têm filhos nessa idade.

O filme conta com ótimas atuações de atores jovens e novos no cinema, assim como dos atores mais conhecidos como José Carlos Machado e Denise Fraga, que interpretam os pais de Mano. E para a personagem da mãe, destaco uma atenção especial. Além da ótima atuação de Denise, a personagem em si trás a representação da mulher moderna em nossa sociedade. É uma mulher independente, que conseguiu seu espaço, mas que ao mesmo tempo é sobrecarregada, cuida dos filhos, cuida da casa e do trabalho. E isso reflete em uma personagem com um peso de responsabilidades sobre si que resulta em uma das cenas mais marcantes do filmes onde a personagem arremessa ovos na parede.  E aí apenas para constar eu deixo algumas questões que acho que devem ser refletidas. Qual é o papel da mulher em nossa sociedade? É a mulher que além de trabalhar deve cuidar da casa e dos filhos? É o papel de ser mãe? Claro que no filme, outros conflitos estão ligados a relação dos filhos com os pais, mas acho que deixar essas questões é importante.

A trilha sonora também é uma delícia e passeia pelo rock e canções calmas ao som de violão. Mas a música que merece destaque é “Something” dos Beatles que dá um plus ao filme, principalmente pra quem é fã.

Falando um pouco dos problemas do filme, eles não chegam ao ponto de deixar o filme ruim, mas dá certo incômodo quando alguns personagens têm atitudes que entregam o que está por vir, deixando o filme previsível em algumas partes. Outra coisa são alguns estereótipos como, por exemplo, o da menina linda, com um belo corpo e que não liga para política por qual Mano se apaixona. Ou então a personagem Dri, a blogueira fofoqueira da escola, que não faz nada a não ser uma fofoqueira, ou seja, é como se ela não tivesse uma vida, a única coisa que ela faz é ser fofoqueira.

Esses problemas não chegam a atrapalhar contexto geral do filme e a obra merece ser assistida mais de uma vez. Resta-nos apreciar e aguardar o próximo trabalho de Laís Bodanzky.


[1] http://www.adorocinema.com/colunas/as-melhores-coisas-do-mundo-1-803/ . Acesso em 27 de agosto de 2010.

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