Hanami – Cerejeiras em Flor (2008) – Doris Dörrie

Por Samuel Costa

Hanami – Cerejeiras em Flor de 2008 (Kirschblüten – Hanami) é um belíssimo, delicado e sensível filme alemão da diretora Doris Dörrie. Aborda questões importantes e intrínsecas ao ser humano como a família, amizade, a arte e a morte.

A história tem início quando Trudi, interpretada por Hannelore Elsner, que mora no interior da Alemanha junto com seu marido Rudi, interpretado por Elmar Wepper, descobre que o mesmo está doente e em faze terminal. A decisão de contar a ele sobre a doença está nas mãos dela. Ao invés disso, ela decide viver últimos momentos de felicidade junto com Rudi e o convence a fazer uma viajem para Berlim e visitar seus filhos. A intenção era ir para Berlim e para o Japão, que era um dos sonhos de Trudi, mas ela não consegue convencer o marido e ambos partem para a capital alemã. Na metrópole eles ficam na casa dos filhos que são ocupados e não têm tempo para eles.

Nessa primeira parte vemos as relações familiares com valores tão diferentes no que se refere às perspectivas do casal e a dos filhos. Somente Trudi sabe da doença e o que ela mais queria nesse momento era uma espécie de confraternização em família, mas os filhos estão mais preocupados com os seus trabalhos e compromissos do dia-a-dia. Os pais acabam se tornando em um estorvo na perspectiva deles. É aí que entra a personagem lésbica nora de Trudi e Rudi, eu não diria que aí há uma amizade (talvez), mas um imenso respeito pela família e pelo próximo, representado em uma relação que ultrapassa um tabu da nossa sociedade. A namorada da filha do casal é quem vai levá-los para os passeios e acompanhá-los, e depois nos momentos mais difíceis relacionados à morte, ela estará mais presente do que os filhos. Ela apresenta um ar de respeito e reconhecimento da importância que um ser humano representa ao outro. Ainda nessa parte conhecemos a paixão de Trudi pelo Butoh, uma dança contemporânea japonesa. Ela era apaixonada pela arte e negou uma vida de artista para viver no interior com Rudi.

Na segunda parte um evento inusitado faz com que Rudi vá ao Japão com um de seus filhos que mora lá. Nessa viagem ele passa por várias mudanças e experiências mostrando que nunca é tarde para se viver. Ele mais uma vez experimenta o gosto da negação por um filho, o que o leva a encontrar abrigo em uma amizade que ultrapassa as diferenças culturais. Ele conhece a moradora de rua japonesa e dançarina de Butoh Yu. Com ela ele aprende a arte da dança e se liberta um tanto de limites que o aprisionavam. Tudo com um objetivo e significado ligado a sua esposa Trudi. Yu é quem vai ajudá-lo com a sua sincera amizade a alcançar o que ele procura no Japão.

O filme também apresenta um importante papel dos elementos culturais como, por exemplo, os rituais funerários, a arte ou símbolos como o Monte Fuji e a flor de cerejeira.

As relações que a diretora trabalha nesse filme apresentam um contraste entre o valor às relações humanas e o individualismo e negação do outro. Tratando da questão da morte, que é inevitável a todo ser humano, nós percebemos que ainda há tempo para se viver, Hanami – Cererejeiras em Flor nos atenta à efemeridade da vida e a importância das relações humanas que permeiam a nossa passagem pela Terra.

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Uma resposta para Hanami – Cerejeiras em Flor (2008) – Doris Dörrie

  1. Rose Meire Cozenzo disse:

    Um filme muito delicado e lindo. Sua sinopse está ótima. Abs

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